Mais descanso, qualidade de vida e novos desafios para as empresas estão no centro da discussão sobre a jornada de trabalho.
Imagine uma pessoa que trabalha seis dias seguidos e tem apenas um de descanso. Essa é a conhecida escala 6x1, comum no comércio, nos serviços, na indústria e em outras atividades que funcionam durante toda a semana.
Na escala 5x2, o trabalhador atua cinco dias e descansa dois. A diferença parece pequena, mas pode significar mais tempo para a família, os estudos, o lazer e a saúde.
O QUE MUDA NA PRÁTICA?
Em 16 de outubro de 2026, o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional nº 141, que alterou o artigo 7º da Constituição Federal. A jornada normal passa a ser de até oito horas diárias e 40 horas semanais, com dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos.
A mudança será gradual. A partir de 16 de dezembro de 2026, o limite cai das atuais 44 para 42 horas semanais. Em 16 de dezembro de 2027, chega às 40 horas, sempre sem redução salarial. Prestadoras de serviços terceirizados à administração pública terão prazo maior, de 12 meses.
Isso não significa, necessariamente, que todos passarão a trabalhar de segunda a sexta. Uma coisa é o limite de horas; outra é a forma de distribuí-las ao longo dos dias. A emenda admite, em caráter excepcional, regimes compensatórios diferentes do 5x2, desde que previstos em convenção ou acordo coletivo e respeitada a média de dois dias de repouso por semana.
Como a regulamentação ainda traz pontos em aberto, o tema exigirá atenção de empregadores, trabalhadores e sindicatos.
UM DESAFIO PARA TRABALHADORES E EMPRESAS
Para os trabalhadores, mais descanso significa melhor convivência familiar, menos desgaste físico e mental e mais tempo para atividades pessoais.
Para as empresas, sobretudo as pequenas, surgem preocupações com custos, contratações e reorganização das equipes, principalmente onde há funcionamento aos sábados, domingos e feriados. Entidades do setor produtivo alertam que, sem ganhos de produtividade, a hora trabalhada fica mais cara, o que pode pressionar preços e margens.
Pesquisadores de outras instituições apontam, por outro lado, que as empresas tendem a se adaptar, com reorganização de processos, ganhos de eficiência e novas contratações. Não há consenso, e o resultado dependerá do setor e da capacidade de cada negócio.
Essas preocupações precisam ser levadas a sério. O debate não deve ser uma disputa entre trabalhadores e empresários, pois ambos são essenciais à economia. O desafio é adaptar a organização do trabalho às novas regras, respeitando direitos e preservando a continuidade das atividades.
E AGORA, O QUE FAZER?
O trabalhador deve procurar o sindicato da sua categoria ou o setor de pessoal da empresa para saber como será a organização da nova jornada. O empregador, por sua vez, deve mapear desde já as escalas e os acordos de compensação existentes, para planejar a transição com segurança jurídica e diálogo.
No fundo, a questão é simples, embora a solução seja complexa: quanto da nossa vida deve ser dedicado ao trabalho e quanto deve ser reservado para descansar, conviver e viver? Encontrar esse equilíbrio é tarefa de toda a sociedade.
Gilberto José Rodrigues - Advogado e Professor Universitário, Coordenador de curso de Graduação EAD em Administração, Recursos Humanos e Marketing. Professor Mestre do Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos – Unifio, nos cursos de Administração presencial e EAD, Recursos Humanos e Marketing, Direito, Ciências Contábeis e Pedagogia, nas disciplinas de Direito do Trabalho, Direito Empresarial, Direito Internacional, Teoria do Direito, Gestão de Pessoas, Empreendedorismo, Administração de Micro e Pequenas Empresas e Projetos Integradores.
© Toda reprodução desta notícia deve incluir o crédito ao Abordagem, acompanhado do link para o conteúdo original.