Ir para o conteúdo
Abordagem Notícias

JUSTIÇA

Réu é condenado a 30 anos de prisão pela morte de Pedro Militino, em Assis

Os jurados reconheceram as qualificadoras atribuídas ao crime cometido em janeiro de 2025

Abordagem Notícias Jornalismo local e regional
Réu é condenado a 30 anos de prisão pela morte de Pedro Militino, em Assis

Salatiel Fabrício Serra Brizi foi condenado a 30 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, pela morte de Pedro Militino da Costa, de 61 anos. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (30), durante sessão do Tribunal do Júri realizada nas dependências da Câmara Municipal de Assis.

De acordo com a sentença obtida pelo Portal Abordagem Notícias, a Justiça julgou procedente a pretensão punitiva do Estado e condenou Salatiel por homicídio qualificado, nos termos do artigo 121, § 2º, incisos I, III e IV, do Código Penal.

Os jurados reconheceram as qualificadoras atribuídas ao crime: motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ao final do julgamento, a pena foi fixada em 30 anos de prisão, com início do cumprimento em regime fechado.

O resultado encerra uma das principais etapas do processo sobre o homicídio ocorrido na noite entre os dias 27 e 28 de janeiro de 2025, na zona rural de Assis.

Crime ocorreu na região do Cervinho

O caso é acompanhado pelo Portal Abordagem Notícias desde janeiro de 2025. Pedro Militino foi encontrado morto na manhã de 28 de janeiro, dentro de seu Hyundai HB20S prata, em um matagal na região do Cervinho. Na ocasião, o corpo apresentava hematomas e marcas de pancadas na cabeça.

Pedro residia em uma chácara na mesma região. Conforme apurado pelo Abordagem Notícias à época, ele havia saído de casa na noite anterior e seu desaparecimento foi registrado pela companheira na manhã seguinte. Horas depois, o veículo foi localizado com o corpo em seu interior.

Denúncia detalhou sequência que terminou em morte

Segundo a denúncia do Ministério Público, Pedro e sua companheira residiam em uma chácara em Assis. Na noite do crime, Salatiel teria ido até a propriedade acompanhado de outras pessoas, após um desentendimento envolvendo integrantes do grupo.

Conforme a acusação, o réu estava de posse de um taco de beisebol e um soco inglês. Na propriedade, teria gritado em frente ao portão, atingido a estrutura e atirado pedras contra a residência. Também teria danificado a caixa de energia do imóvel, interrompendo o fornecimento de eletricidade, antes de deixar o local.

Pedro então passou a seguir o veículo ocupado pelo grupo. A denúncia aponta que, ao perceber a aproximação do carro da vítima, Salatiel teria orientado o motorista a acelerar.

Em determinado momento, o grupo entrou em uma rua sem saída e teria tentado despistar Pedro entrando em uma plantação, desligando o motor e apagando os faróis.

Ainda segundo a acusação, quando o automóvel de Pedro atingiu um desnível e parou bruscamente, Salatiel teria desembarcado e se dirigido até o veículo da vítima.

Golpes com taco e soco inglês

Foi nesse momento, conforme sustentou o Ministério Público, que ocorreu a agressão fatal. Salatiel teria desferido diversos golpes com o taco de beisebol e o soco inglês contra o rosto de Pedro.

A denúncia relata ainda que duas mulheres presentes teriam pedido para que as agressões fossem interrompidas, mas os atos violentos continuaram. As lesões sofridas pela vítima provocaram sua morte.

Ao final do julgamento desta quarta-feira, o Conselho de Sentença acolheu a tese acusatória, reconhecendo o homicídio e as três qualificadoras submetidas aos jurados.

Trajetória de Pedro Militino

Na época de sua morte, Pedro Militino trabalhava como motorista de aplicativo, mas sua trajetória profissional também esteve ligada à comunicação, ao comércio e à cultura.

Conforme levantamento publicado anteriormente pelo Abordagem Notícias, Pedro havia sido vice-presidente do Conselho Municipal de Segurança Pública de Paraguaçu Paulista, trabalhou como radialista em Paraguaçu Paulista e na Rádio FEMA, em Assis, além de ter atuado como corretor de imóveis e proprietário de uma livraria.

Também trabalhou como produtor do Mapa Cultural Paulista, na Abaçaí Cultura e Arte. Pedro era casado e deixou dois filhos de um relacionamento anterior.

Acusação e defesa

Durante o Tribunal do Júri, atuou como assistente de acusação o advogado João Carlos Merlim. A defesa de Salatiel Fabrício Serra Brizi ficou a cargo do advogado Tério Alves dos Santos Júnior.

Após a análise das provas, depoimentos e das teses apresentadas pelas partes, os jurados decidiram pela condenação. A sentença fixou a pena de 30 anos de reclusão, inicialmente em regime fechado.


© Toda reprodução desta notícia deve incluir o crédito ao Abordagem, acompanhado do link para o conteúdo original.