Ir para o conteúdo
Abordagem Notícias

ARTIGO

777 pessoas atrás de uma chance: o que esse número diz sobre Assis?

Programa Força de Trabalho revela demanda por emprego, qualificação e desenvolvimento.

Abordagem Notícias Jornalismo local e regional
777 pessoas atrás de uma chance: o que esse número diz sobre Assis?

Um número divulgado nesta semana merece mais atenção do que uma simples leitura administrativa: 777 pessoas fizeram a pré-inscrição no Programa Força de Trabalho, da Prefeitura de Assis. Destas, 214 chegaram à etapa de apresentação de documentos e entrevistas para um programa que prevê até 100 vagas. 

É importante reconhecer o valor de uma iniciativa como essa para quem atravessa um momento de dificuldade e precisa de renda. Mas a quantidade de interessados também nos obriga a olhar além do processo seletivo. São centenas de pessoas procurando uma porta de entrada, uma recolocação ou simplesmente uma oportunidade de voltar a caminhar com as próprias pernas.

É justamente aí que acredito estar a discussão mais importante. Programa emergencial é necessário, mas precisa ser ponte, não destino. Assis também vem oferecendo iniciativas de capacitação, como os cursos de soldagem e caldeiraria anunciados recentemente, o que demonstra que existem esforços nessa direção. 

O desafio agora é aproximar cada vez mais formação e emprego: entender quais profissionais as empresas procuram, quais setores podem crescer e quais cursos realmente podem terminar em contratação. Não basta formar por formar. É preciso preparar pessoas para oportunidades que existam ou que possam ser criadas. 

Debater isso não significa torcer contra administração alguma. Uma cidade melhora justamente quando conseguimos reconhecer o que está sendo feito e, ao mesmo tempo, discutir aquilo que ainda pode avançar.

Tenho uma relação pessoal com esse tema. Ainda adolescente, participei de projetos de formação da Fundação Futuro e conheci de perto o impacto que uma oportunidade pode provocar na trajetória de alguém. Cursos, capacitação e portas abertas naquele período contribuíram para os caminhos que construí depois. 

Talvez por isso eu não consiga olhar para esses 777 nomes apenas como estatística. Ali pode estar um jovem procurando o primeiro emprego, alguém tentando voltar ao mercado depois dos 40 ou 50 anos, uma mãe retomando a vida profissional ou uma pessoa esperando apenas uma chance para mostrar do que é capaz.

Uma cidade não cresce somente quando inaugura obras ou anuncia grandes investimentos. Cresce também quando consegue transformar formação em emprego, conhecimento em renda e assistência em autonomia. O Força de Trabalho pode ajudar quem precisa agora; o passo seguinte é construir condições para que cada vez menos pessoas dependam de soluções temporárias no futuro. 

Os 777 inscritos não são apenas um número. São um recado. Existe gente querendo trabalhar, produzir e seguir em frente. A pergunta que fica é: quantas novas portas Assis será capaz de abrir para elas?

Rodrigo de Souza: Publicitário, mestre em Comunicação e iniciou sua trajetória profissional a partir de oportunidades de formação e capacitação para jovens.

© Toda reprodução desta notícia deve incluir o crédito ao Abordagem, acompanhado do link para o conteúdo original.