Rodrigo de Souza, ao lado da esposa, Elenita, e do filho Luka, reforça a importância de ampliar o olhar para o TEA e o apoio às famílias em Assis.
Os números divulgados nesta semana pela Prefeitura de Assis chamam atenção e merecem uma reflexão que vai além das salas de aula. Atualmente, 399 estudantes com Transtorno do Espectro Autista estão matriculados na rede municipal de ensino. Quando considerados todos os alunos que integram o público da educação especial, esse número chega a 436. São dados expressivos e que revelam não apenas o tamanho da estrutura necessária para garantir inclusão escolar, mas também uma realidade que precisa ser observada pensando no presente e, principalmente, no futuro dessas crianças e de suas famílias.
Assis já possui serviços importantes voltados à inclusão, como o Atendimento Educacional Especializado, profissionais de apoio, o Centro Fênix, equoterapia, natação adaptada e outras iniciativas. Reconhecer esses avanços é fundamental. Mas, diante de quase 400 crianças com TEA somente na rede municipal, talvez esteja chegando o momento de ampliar ainda mais esse olhar. O autismo não acompanha calendário escolar. Uma criança não deixa de ser autista quando encerra uma etapa de ensino, quando muda da rede municipal para a estadual ou quando chega à adolescência e, posteriormente, à vida adulta. As necessidades mudam, mas muitas vezes continuam existindo.
Entre famílias, existem relatos sobre dificuldades na continuidade de determinados acompanhamentos, sobre a grande procura pelos serviços disponíveis e sobre a preocupação com o que acontece quando uma criança encerra determinada fase de atendimento. São questões que não precisam ser tratadas como acusação, mas como um importante sinal para o planejamento das políticas públicas. Quando a demanda cresce, é natural que a estrutura também precise evoluir. E talvez esse seja o próximo desafio de Assis: fortalecer uma rede permanente, integrada entre Educação, Saúde e Assistência Social, capaz de acompanhar a pessoa com TEA durante suas diferentes fases da vida.
Também é preciso olhar para quem está ao lado dessas crianças todos os dias: seus pais e familiares. Receber um diagnóstico, procurar terapias, acompanhar a escola, buscar direitos e tentar entender qual será o próximo passo transforma profundamente a rotina de uma família. Criar ou intensificar políticas de orientação, acolhimento e apoio aos responsáveis seria uma forma de cuidar não apenas da criança, mas de toda a estrutura familiar que sustenta esse acompanhamento diariamente.
Os 399 estudantes apresentados nas estatísticas de hoje irão crescer. Em alguns anos, parte deles já não estará mais na rede municipal. Depois deixarão também a educação básica. E é justamente por isso que discutir autismo apenas dentro dos limites da escola pode não ser mais suficiente. Assis já construiu caminhos importantes, mas os próprios números mostram que está diante de uma oportunidade: desenvolver uma política de longo prazo para que nenhuma pessoa com TEA e nenhuma família precise enfrentar sozinha a passagem de uma fase para outra.
Rodrigo de Souza. Comunicador, Mestre em Comunicação e pai atípico. “Os números mostram quantos são. O próximo passo é pensar até onde queremos acompanhá-los”.
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