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Você fiscaliza a Prefeitura com a mesma atenção que ela cobra seu IPTU?

"Mais do que discutir quanto pagamos de imposto, precisamos olhar para o outro lado da conta".

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Você fiscaliza a Prefeitura com a mesma atenção que ela cobra seu IPTU?

Quando falamos em IPTU, normalmente a primeira discussão é sobre quanto estamos pagando. Se aumentou, se está caro, se pesa no orçamento da família. É natural. Mas existe uma pergunta que considero tão importante quanto essa e que fazemos muito menos: depois que o dinheiro entra nos cofres públicos, quanto nós acompanhamos o que acontece com ele?

Antes de tudo, é preciso deixar algo claro. O IPTU não é uma mensalidade paga à Prefeitura em troca de um serviço específico. Não significa que o valor arrecadado em determinada rua obrigatoriamente será utilizado naquela mesma rua. O imposto integra as receitas do município e ajuda a financiar o conjunto de serviços e políticas públicas da cidade.

Mas a obrigação do cidadão não deveria terminar quando o imposto é pago.

Quem mora em Assis percebe a administração pública muito antes de abrir qualquer Portal da Transparência. Percebe quando olha para a própria rua, quando encontra um buraco que demora a ser resolvido, quando observa a iluminação do bairro, a conservação de uma praça, a limpeza da cidade, a coleta de lixo ou quando precisa de atendimento em algum serviço municipal.

É aí que o orçamento público deixa de ser apenas um monte de números e começa a aparecer na vida real.

Um caminhão parado, uma rua sem manutenção, uma praça abandonada ou um equipamento público deteriorado também falam sobre dinheiro público. Assim como uma obra entregue, uma escola bem cuidada, uma unidade funcionando e um serviço eficiente também são resultados de planejamento, investimento e escolhas administrativas.

Governar é escolher prioridades. E é justamente por isso que a população precisa saber quais prioridades estão sendo escolhidas.
Quanto o município arrecada? Onde está gastando? Quanto custa determinado contrato? Por que determinado serviço demora? Existe dinheiro previsto para aquela melhoria? Qual é o prazo? Essas perguntas não deveriam pertencer somente aos vereadores, à imprensa ou aos órgãos de fiscalização. Elas também pertencem ao cidadão.

E cobrar essas respostas não significa torcer contra quem governa.

Precisamos superar essa lógica de que toda cobrança é oposição e todo elogio é apoio. Se algo está funcionando, precisa ser reconhecido. Se não está, precisa ser questionado. O dinheiro público não pertence a um governo, a um partido ou a um grupo político. Ele pertence à população.

Também precisamos avançar na transparência. Não basta colocar milhares de números, códigos e documentos em um site e considerar que a população está informada. Transparência de verdade acontece quando o cidadão consegue entender, de maneira simples, quanto entrou, onde foi gasto e quais resultados aquele dinheiro produziu.

Talvez precisemos criar o hábito de olhar para o orçamento da cidade com a mesma atenção que olhamos para nossas próprias contas.

Quando uma família percebe que o dinheiro não será suficiente para tudo, ela estabelece prioridades. Na administração pública não é diferente. Os recursos são limitados e as necessidades são enormes. Justamente por isso, cada escolha precisa ser explicada e cada real precisa ser tratado com responsabilidade.

E não precisamos esperar uma eleição para começar a fazer isso.

Podemos acompanhar a cidade todos os dias. Perguntar, participar, consultar informações, procurar nossos representantes e cobrar respostas. Isso também é cidadania.

A Prefeitura sabe quanto cada imóvel deve de IPTU, conhece os prazos e possui mecanismos para cobrar aquilo que precisa receber. E está correto que exista controle.

Mas talvez esteja na hora de nós fazermos o caminho inverso.

Se o poder público sabe quanto deve cobrar de cada cidadão, nós também precisamos saber como ele está cuidando de cada real que recebe da população.

Porque cidadania não é apenas pagar a conta da cidade.

É também fiscalizar como essa conta está sendo administrada.


Rodrigo de Souza: Publicitário e mestre em Comunicação. Acredita que cuidar da cidade também é acompanhar, participar e fiscalizar.

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