A campanha eleitoral começou oficialmente e Assis entra nas Eleições 2026 com cinco nomes ligados diretamente ao município na disputa por vagas nos Legislativos estadual e federal. São três candidatos a deputado estadual e dois a deputado federal, colocando novamente em evidência uma questão que acompanha a política regional há anos: a busca por maior representação de Assis e do Vale do Paranapanema nas esferas de decisão.
Para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) estão na disputa Fernando Sirchia (PDT), Márcio Cavuto (Novo) e Professora Mariana (PT).
Na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília, Assis tem Alexandre Cachorrão (Avante) e Stella Cury (Novo).
Com trajetórias diferentes, os cinco candidatos partem agora para uma disputa que ultrapassa os limites do município. Tanto para deputado estadual quanto para federal, a votação ocorre em todo o Estado de São Paulo e as vagas são preenchidas pelo sistema proporcional, no qual entram na conta os votos dos candidatos e o desempenho eleitoral dos partidos e federações.
Três nomes de Assis na disputa pela Alesp
Fernando Sirchia (PDT) chega à eleição como um dos nomes que atualmente exercem mandato eletivo no município. Vereador de Assis, ele já conhece uma disputa estadual: em 2022 também concorreu a deputado estadual. Agora, volta às urnas em busca de uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Márcio Cavuto (Novo) também vem de uma eleição recente. Empresário, ele disputou a Prefeitura de Assis em 2024 e, dois anos depois, muda o foco de sua atuação eleitoral para o Legislativo estadual.
A terceira candidatura é a da Professora Mariana (PT), que também participou da eleição municipal de 2024 como candidata à Prefeitura de Assis. Neste ano, retorna às urnas buscando uma das vagas de deputado estadual.
São, portanto, três candidaturas com perfis e posicionamentos políticos distintos, mas que terão um desafio em comum: expandir a votação para além de Assis e conquistar apoio em outros municípios paulistas.
Alexandre Cachorrão e Stella Cury buscam vagas em Brasília
Na eleição para deputado federal, Alexandre Cachorrão (Avante) é um dos dois nomes ligados a Assis. Ele exerce atualmente o cargo de vice-prefeito de Assis, após ter sido eleito em 2024 na chapa encabeçada por Telma Spera. Também comandou a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e deixou a função neste ano, permanecendo na Vice-Prefeitura.
A outra candidatura é de Stella Cury (Novo). Empresária, ela também possui experiência eleitoral recente em Assis: em 2024 disputou uma cadeira na Câmara Municipal, então pelo PSD. Agora filiada ao Novo, amplia o alcance de sua candidatura e tenta chegar à Câmara dos Deputados.
Representatividade vai além de ter um nome na urna
A presença de cinco candidatos locais também abre espaço para uma discussão que vai além dos partidos e das próprias candidaturas: qual é o peso de Assis no cenário político estadual e federal e quanto uma representação diretamente ligada à região pode influenciar na defesa de suas demandas?
Deputados estaduais e federais não representam exclusivamente suas cidades de origem. Uma vez eleitos, seus mandatos abrangem, respectivamente, todo o Estado e o país. Também não é necessário que um município tenha um parlamentar domiciliado na cidade para receber recursos, investimentos ou emendas.
Ainda assim, a existência de um deputado cuja trajetória política e base eleitoral estejam diretamente relacionadas à região pode aproximar as demandas locais dos espaços onde são tomadas decisões importantes.
Essa interlocução aparece em diferentes áreas. Hospitais que atendem pacientes de dezenas de municípios, universidades, entidades assistenciais, obras de infraestrutura, rodovias, segurança pública e projetos apresentados pelas prefeituras frequentemente dependem de articulação junto ao Estado ou à União.
Nesse contexto, Assis possui uma característica importante: não funciona isoladamente. O município exerce papel de polo regional e concentra serviços utilizados diariamente por moradores de cidades do Vale do Paranapanema.
Uma demanda apresentada por Assis, portanto, muitas vezes ultrapassa suas próprias divisas.
Cinco candidatos, mas o voto local será dividido
Existe, entretanto, outro lado nessa equação.
Ter vários candidatos da própria cidade não significa necessariamente aumentar as chances de eleger um representante. Dentro de cada cargo, os votos locais serão disputados por candidatos diferentes e também por dezenas de nomes de outras regiões que tradicionalmente mantêm bases eleitorais em Assis.
Na eleição para deputado estadual, três candidatos ligados à cidade disputarão diretamente uma parcela do mesmo eleitorado. Para deputado federal, serão dois.
E existe ainda a particularidade do sistema proporcional.
Diferentemente da eleição para prefeito, governador ou presidente, não basta simplesmente terminar a votação entre os candidatos individualmente mais votados. O resultado das eleições proporcionais também depende da quantidade de votos obtida pelo partido ou federação, que influencia diretamente a distribuição das cadeiras.
Por isso, conquistar uma votação expressiva em Assis é importante, mas a eleição dependerá também da capacidade de cada candidatura de construir votos em outros municípios e do desempenho de sua legenda em todo o Estado.
O eleitor também terá de avaliar o que significa representação
A discussão sobre representação regional, porém, não deve transformar a origem do candidato no único critério de escolha.
Ser de Assis, por si só, não garante um bom mandato.
Propostas, trajetória pública, capacidade de articulação, posicionamentos, compromisso com a região e atuação política também precisam fazer parte da avaliação do eleitor.
Da mesma forma, deputados de outras cidades podem — e frequentemente fazem — destinar recursos e atuar em benefício de Assis e dos municípios da região.
O diferencial de uma representação diretamente vinculada ao município está principalmente na proximidade permanente com os problemas e demandas locais e na possibilidade de estabelecer uma interlocução mais direta entre a região e os governos estadual e federal.
Campanha começou
Desde domingo, 16 de agosto, a propaganda eleitoral está oficialmente permitida, inclusive na internet, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Começa agora a etapa em que os cinco candidatos terão de apresentar propostas, ampliar suas bases e buscar apoio fora de seus grupos políticos tradicionais.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro.
Até lá, a eleição deverá mostrar não apenas qual será a votação individual de cada candidato, mas também se Assis conseguirá transformar parte de sua força eleitoral em representação efetiva na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.
Com cinco nomes na disputa, a cidade tem candidatos. A partir de agora, o desafio é transformar candidaturas em votos — e votos suficientes em uma cadeira.
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