A Sasazaki, tradicional fabricante de esquadrias de Marília, demitiu os funcionários que ainda estavam vinculados à empresa e paralisou as atividades na cidade. A informação foi confirmada pelo sindicato da categoria, que informou que cerca de 60 trabalhadores estavam na empresa no momento da paralisação.
Fundada em 1943, a Sasazaki construiu uma trajetória de mais de oito décadas na indústria de Marília e chegou a empregar centenas de funcionários. A situação atual ocorre após anos de dificuldades financeiras, redução do quadro de trabalhadores e tentativas de reorganização da empresa.
Não há, até o momento, confirmação da Sasazaki de que a paralisação representa o encerramento definitivo das atividades. A empresa foi procurada para esclarecer o cenário, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.
Histórico de demissões e paralisaçõesA redução do quadro de funcionários ganhou destaque em 2019, quando a empresa anunciou a demissão de aproximadamente 200 trabalhadores. Na época, a Sasazaki tinha cerca de 600 funcionários. A justificativa apresentada foi a queda no volume de vendas e a necessidade de adequação da estrutura ao cenário econômico.
Em outubro de 2023, a crise se agravou com a suspensão da produção. Os funcionários foram orientados a permanecer em casa, e havia relatos de salários atrasados.
No mês seguinte, a empresa iniciou o pagamento parcelado de parte dos valores pendentes e informou que trabalhava para retomar a produção.

Recuperação judicial
Em janeiro de 2024, o Grupo Sasazaki entrou com pedido de recuperação judicial, declarando uma dívida de aproximadamente R$ 35,16 milhões.
Na ocasião, a empresa apontou a perda de volume de vendas, dificuldades de crédito, empréstimos e divergências entre sócios entre os fatores relacionados à crise. Também citou os impactos econômicos da pandemia e da guerra entre Rússia e Ucrânia.
O pedido tinha como objetivo reorganizar as finanças e permitir a continuidade das operações. Na época, a companhia afirmava ter condições de superar as dificuldades.
O então presidente do Conselho de Administração, Leonardo Kozo Sasazaki, mencionou o aumento de custos, a retração do consumo, os juros elevados e a escassez de crédito como fatores que afetavam a empresa.
Ainda segundo informações divulgadas pela Sasazaki, duas consultorias especializadas em reestruturação empresarial haviam sido contratadas em outubro de 2023 para auxiliar na reorganização das operações e das finanças.
Situação atual
Com a paralisação das atividades e a demissão dos funcionários que permaneciam vinculados à empresa, a Sasazaki enfrenta uma nova etapa de sua crise financeira.
O sindicato confirmou os desligamentos e a interrupção das atividades, mas a empresa ainda não esclareceu se haverá retomada da produção ou se a paralisação será definitiva.
A Sasazaki foi procurada pelos contatos disponíveis para obter informações sobre a situação dos trabalhadores e os próximos passos da operação em Marília, mas retornou até a publicação desta reportagem.
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