Maracaí volta a se transformar em destino de milhares de romeiros neste fim de semana com a tradicional Festa do Menino da Tábua, uma das manifestações de fé popular mais conhecidas da região. A celebração ocorre anualmente no último domingo de agosto e tem como principal ponto de peregrinação o Cemitério Municipal, onde está sepultado Antônio Marcelino, conhecido como Menino da Tábua.
A movimentação reúne visitantes de diferentes cidades e estados, que chegam a Maracaí para fazer pedidos, agradecer graças atribuídas à intercessão de Antônio Marcelino e conhecer locais que se tornaram símbolos da devoção. Além do túmulo, a Capela do Menino da Tábua e a Sala dos Milagres estão entre os espaços mais procurados pelos romeiros.

A tradição ganhou dimensão suficiente para alterar a rotina da cidade durante o último fim de semana de agosto. Em 2022, na retomada da festa após dois anos de interrupção provocada pela pandemia de Covid-19, aproximadamente 25 mil pessoas participaram das atividades, segundo a comissão organizadora.
Além das manifestações religiosas, a festa tradicionalmente reúne feira livre, praça de alimentação e atividades culturais, movimentando comerciantes e prestadores de serviços e fazendo do turismo religioso uma importante atividade para Maracaí durante o período.
O Menino da Tábua

Antônio Marcelino nasceu em 1900, em Cândido Mota, e passou a maior parte da vida em Maracaí. Segundo os registros históricos reunidos pelo município, enfrentava uma condição física que limitava seus movimentos e seu desenvolvimento e permanecia deitado sobre uma tábua de lavar roupas — característica que deu origem ao nome pelo qual ficaria conhecido.
Relatos preservados ao longo das décadas contam que ele se alimentava basicamente de leite e água e não permitia que a tábua fosse forrada. Antônio morreu em 31 de agosto de 1945, aos 45 anos, e foi sepultado no Cemitério Municipal de Maracaí junto com a tábua que marcou sua história.
Depois de sua morte, começaram a se multiplicar relatos de pessoas que atribuíam graças e curas à sua intercessão. O túmulo passou, gradativamente, a receber visitantes e transformou-se em ponto de peregrinação.
A devoção a Antônio Marcelino é popular e não corresponde a uma canonização oficial pela Igreja Católica. A Diocese de Assis já destacou que o Menino da Tábua não é considerado santo pelos cânones da Igreja, embora reconheça a manifestação de fé existente em torno de sua história.
Devoção atravessa gerações

A peregrinação ganhou força especialmente a partir da década de 1970. Em 1978, a história de Antônio Marcelino alcançou público ainda maior por meio da música sertaneja. A dupla Pardinho & Pardal gravou “O Menino da Tábua”, seguida por outras canções relacionadas à devoção, ajudando a tornar sua história conhecida fora da região de Maracaí.
Desde 1977, a festa é realizada de forma organizada no município, sempre associada ao último fim de semana de agosto, período próximo ao aniversário da morte de Antônio Marcelino. Ao longo das décadas, a peregrinação passou a atrair caravanas de diferentes regiões do país.
Na Sala dos Milagres, fotografias, cartas, objetos pessoais e outros itens deixados por devotos registram histórias de pedidos e agradecimentos. São testemunhos que ajudam a dimensionar como uma devoção surgida no interior paulista atravessou gerações.
Neste fim de semana, essa tradição volta a modificar a rotina de Maracaí. Entre manifestações religiosas, histórias familiares e romeiros que repetem a peregrinação ano após ano, a Festa do Menino da Tábua mantém viva uma história iniciada há mais de oito décadas e que se tornou parte da identidade cultural e religiosa do município.
Fonte: Prefeitura Municipal de Maracaí, com informações complementares da Diocese de Assis.
© Toda reprodução desta notícia deve incluir o crédito ao Abordagem, acompanhado do link para o conteúdo original.