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Diocese de Jundiaí confirma excomunhão de padre após adesão à Fraternidade São Pio X

Rodrigo de Oliveira Silva passou a atuar em Campo Limpo Paulista e aderiu ao grupo tradicionalista.

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Diocese de Jundiaí confirma excomunhão de padre após adesão à Fraternidade São Pio X

A Diocese de Jundiaí confirmou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva após sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A decisão foi comunicada pelo bispo diocesano, dom Arnaldo Carvalheiro Neto, em nota pastoral publicada no dia 06 de agosto.

Segundo o bispo, a adesão do sacerdote à FSSPX o colocou em situação de cisma e de excomunhão, assim como os demais ministros vinculados à Fraternidade. A decisão ocorre após a instituição promover, em 1º de julho de 2026, na Suíça, a ordenação de quatro novos bispos sem autorização do papa Leão XIV. A própria FSSPX reconheceu que as consagrações ocorreram sem autorização pontifícia.

No dia seguinte às ordenações, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou decreto declarando que o bispo Alfonso de Galarreta, os quatro sacerdotes consagrados bispos e Bernard Fellay incorreram em excomunhão. O documento também advertiu clérigos e fiéis leigos sobre as consequências canônicas de aderir ao cisma.

De acordo com dom Arnaldo, os atos praticados pelo padre Rodrigo em seu ministério, após a ruptura, são considerados ilícitos. No caso específico dos sacramentos da Penitência e do Matrimônio, a Diocese informou que tanto as absolvições sacramentais quanto os casamentos assistidos por ele não possuem validade canônica.

A orientação da Diocese é para que os fiéis não participem das celebrações promovidas pelo sacerdote no espaço onde ele passou a atuar em Campo Limpo Paulista.

Quem é o padre Rodrigo de Oliveira Silva

Natural de Cajamar, Rodrigo de Oliveira Silva foi ordenado sacerdote em 2011. Em 2017, assumiu a Paróquia Santo Antônio de Pádua, no bairro Ivoturucaia, em Jundiaí.

Em fevereiro deste ano, ele deixou a função paroquial para se dedicar à Fraternidade Sacerdotal São Pio X e passou a celebrar missas tridentinas em Campo Limpo Paulista.

Antes da confirmação oficial da excomunhão, Rodrigo divulgou um vídeo em que explicou os motivos de sua decisão. Ele afirmou que preferiria continuar exercendo o ministério em uma paróquia regular, mas disse considerar que a Igreja atravessa uma crise doutrinária e criticou o que classifica como “modernismo” dentro das estruturas católicas atuais.

Desde então, passou a desenvolver atividades religiosas em Campo Limpo Paulista e também iniciou uma campanha para arrecadar recursos destinados à aquisição de um imóvel para a manutenção de seu centro de culto.

O que é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e tem sede na Suíça. O grupo mantém forte oposição a diversas mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II e defende a preservação da liturgia tradicional.

Entre suas principais bandeiras está a celebração da chamada missa tridentina, conforme o missal anterior à reforma litúrgica de 1969.

A relação da FSSPX com o Vaticano é marcada por décadas de conflito. Em 1988, Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do papa João Paulo II, fato que levou à aplicação de excomunhões. Parte dessas sanções foi posteriormente retirada por Bento XVI, em 2009, mas a Fraternidade não recuperou situação canônica regular dentro da Igreja.

Em 2026, a tensão voltou a aumentar com a decisão da FSSPX de ordenar outros quatro bispos sem mandato pontifício. A cerimônia ocorreu em Écône, na Suíça, e teve Alfonso de Galarreta como consagrante principal e Bernard Fellay como coconsagrante.

Apesar do conflito com Roma, a própria FSSPX afirma que não pretende criar uma autoridade paralela e sustenta que as ordenações foram realizadas para garantir a continuidade de sua tradição religiosa.

A missa tradicional em latim, por si só, não significa ruptura com a Igreja Católica. Existem institutos tradicionalistas que permanecem em comunhão com Roma e celebram a liturgia antiga com autorização e reconhecimento canônico.


A reportagem foi elaborada com base em informações divulgadas pela Diocese de Jundiaí, pelo Vaticano, pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X e por veículos de imprensa.

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