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Assis não cabe em uma piada de um minuto e vinte

Uma cidade pode ser palco do humor. Mas jamais deve ser resumida a uma caricatura.

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Assis não cabe em uma piada de um minuto e vinte

Existe uma diferença importante entre fazer humor e definir uma cidade.

O humorista Léo Lins divulgou seu espetáculo em Assis utilizando uma sequência de piadas sobre estudantes, violência, corrupção, ameaças, desaparecimento de pontos tradicionais da cidade e até episódios que marcaram nossa história recente. É o estilo dele: humor ácido, provocativo e, muitas vezes, construído para causar desconforto.

Quem conhece Assis sabe que aquela cidade apresentada no vídeo simplesmente não existe.

A Assis que conhecemos acorda cedo para trabalhar. É formada por professores, agricultores, comerciantes, profissionais da saúde, estudantes que realmente lutam para construir um futuro melhor, pesquisadores, voluntários e milhares de famílias que fazem desta cidade um lugar para viver.

Sim, como qualquer município brasileiro, temos problemas. Temos investigações quando elas precisam acontecer. Temos debates políticos. Temos desafios econômicos.

Mas reduzir toda uma cidade a piadas sobre corrupção, violência e prostituição virtual é ignorar tudo aquilo que realmente nos representa.

Assis é uma cidade universitária, sim. Mas também é uma cidade que produz conhecimento, forma profissionais, desenvolve pesquisa, movimenta cultura, esporte, voluntariado e agronegócio.

Uma cidade que já revelou médicos, professores, empresários, artistas, jornalistas e cidadãos que hoje fazem diferença em todo o Brasil.

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Quem visita Assis encontra muito mais do que aquilo que cabe em um roteiro de stand-up.

Encontra praças cheias de famílias, igrejas, universidades, parques, entidades sociais que transformam vidas, cooperativas que movimentam a economia, empresários que geram empregos e pessoas que têm orgulho de dizer de onde vieram.

Talvez o maior problema do vídeo não seja o humor.

Seja a falta de equilíbrio.

Porque uma boa piada exagera aspectos da realidade. Mas, quando sobra exagero e falta verdade, o resultado deixa de provocar riso para provocar indiferença.

No fim das contas, cada pessoa é livre para assistir ao espetáculo ou não. O teatro abrirá suas portas e quem comprar ingresso certamente encontrará exatamente o tipo de humor que procura.

Da mesma forma, cada cidadão de Assis continuará vivendo sua rotina no dia seguinte, independentemente do sucesso ou do fracasso de uma apresentação.

E talvez aí exista uma ironia maior do que qualquer piada.

Enquanto o vídeo tenta convencer que Assis é uma cidade vazia de virtudes, a realidade continua mostrando exatamente o contrário.

No domingo, quando as luzes do palco se apagarem, a cidade continuará aqui.

Com seus problemas, sim.

Mas também com sua história, sua gente e seu orgulho.

Porque um show dura algumas horas.

Assis permanece.


Rodrigo de Souza é cidadão assisense e acredita que a identidade de uma cidade é construída por sua gente, sua história e suas conquistas, e nunca reduzida a uma piada sem graça.

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