A professora e pesquisadora Eliane Galvão está entre as mulheres homenageadas pelo projeto “Mulheres Extraordinárias Assisenses 2026 – Coragem para mudar o mundo”, que reconhece mulheres cujas histórias e trajetórias inspiram outras pessoas. Com uma carreira dedicada à educação, à pesquisa acadêmica e à valorização da literatura, Eliane se destaca pela contribuição à universidade pública, à formação de professores e ao incentivo à leitura.
Sua trajetória reúne décadas de atuação em diferentes instituições de ensino, projetos de formação de leitores e pesquisas sobre literatura infantil e juvenil. Um dos destaques de sua produção é o livro Literatura infantil e juvenil na fogueira, do qual é uma das organizadoras e que recebeu o Prêmio FNLIJ Cecília Meireles de Melhor Livro Teórico, na premiação de 2025.
Natural de Marília, Eliane nasceu em 20 de fevereiro de 1966 e construiu em Assis parte importante de sua trajetória profissional e acadêmica. Graduada em Letras pela Faculdade de Ciências e Letras de Assis, concluiu o mestrado em Literatura em 2003 e o doutorado em 2009, ambos pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), na área de Literatura e Vida Social.
O contato com os livros começou ainda na infância e, ao longo dos anos, transformou-se em objeto de estudo e compromisso profissional. O interesse pela literatura de autoria feminina e pelas diferentes manifestações artísticas contribuiu para ampliar sua compreensão sobre o papel das narrativas na formação humana.

Da sala de aula à pesquisa universitária
Após a graduação, Eliane ministrou aulas na rede pública de Assis e de municípios da região, trabalhou na formação de professores e lecionou Língua Alemã em centros de línguas. Também atuou durante 18 anos no Ensino Fundamental II, no Ensino Médio e em cursinhos de uma instituição privada.
A experiência em sala de aula contribuiu para o desenvolvimento de pesquisas sobre leitura e formação do leitor, especialmente diante dos desafios de aproximar estudantes da literatura e estimular a interpretação e o pensamento crítico.
Posteriormente, ingressou por concurso no Instituto Municipal de Ensino Superior de Assis (IMESA), onde permaneceu por 15 anos. Nesse período, lecionou nos cursos de Publicidade, Direito e Jornalismo, desenvolveu pesquisas, orientou trabalhos acadêmicos e coordenou uma agência pedagógica voltada à comunicação e à conscientização social.
Na UNESP, consolidou sua atuação nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Participou de iniciativas de formação de mediadores de leitura, desenvolveu projetos com escolas públicas e contribuiu para a formação continuada de professores.
Entre os projetos desenvolvidos estão Contando contos e amarrando pontos e Literatura em Cena: Arte-Educação e Teatro no Espaço Escolar, iniciativas que aproximam literatura e artes de diferentes contextos educativos.
Sua trajetória também inclui orientação de pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado, organização de eventos científicos e participação em grupos de pesquisa nacionais e internacionais. Entre 2021 e 2024, coordenou o Programa de Pós-Graduação em Letras da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, em Assis.

Livro premiado aborda censura e liberdade de leitura
Um dos destaques de sua produção acadêmica é o livro Literatura infantil e juvenil na fogueira, publicado em 2024 pela Editora Aletria. Eliane Galvão é uma das organizadoras da obra, ao lado de João Luís Ceccantini e Thiago Alves Valente.
A publicação recebeu o Prêmio FNLIJ Cecília Meireles de Melhor Livro Teórico, na premiação de 2025, concedido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). O reconhecimento destaca a relevância da obra para os estudos sobre literatura infantil e juvenil.
O livro reúne reflexões sobre censura moralista, cancelamento de obras literárias e liberdade de leitura, discutindo os desafios relacionados ao acesso de crianças e adolescentes a diferentes narrativas.
A proposta reforça a importância da mediação literária como ferramenta para estimular a interpretação, a argumentação e a autonomia dos leitores. Em vez de se limitar à proibição de obras ou à imposição de respostas, o contato com a literatura pode favorecer o diálogo e a construção de diferentes perspectivas.
A obra também evidencia a relevância da literatura infantil e juvenil como manifestação artística e cultural, capaz de abordar questões humanas, sociais e históricas e ampliar a compreensão da realidade.

Literatura, inclusão e formação crítica
A atuação de Eliane Galvão vai além dos muros da universidade. Por meio de pesquisas, projetos de extensão e ações formativas, seu trabalho aproxima o conhecimento acadêmico das necessidades de professores e estudantes da educação básica.
A formação de leitores ocupa lugar central nesse percurso, com iniciativas que buscam ampliar o acesso à literatura e incentivar crianças e jovens a descobrir nos livros oportunidades de imaginação, reflexão e participação social.
Outro eixo de sua pesquisa é a literatura de autoria feminina. Ao investigar e divulgar a produção de escritoras, a pesquisadora contribui para ampliar a visibilidade de vozes e experiências que nem sempre receberam o devido reconhecimento nos espaços tradicionais de circulação do conhecimento.

Uma trajetória que inspira outras mulheres
A homenagem do projeto “Mulheres Extraordinárias Assisenses 2026 – Coragem para mudar o mundo” reconhece a importância de histórias que, por meio do trabalho e da dedicação, inspiram outras pessoas e contribuem para a sociedade.
No caso de Eliane Galvão, sua trajetória reúne décadas de experiência em sala de aula, formação acadêmica, produção científica e compromisso com a educação. O reconhecimento de Literatura infantil e juvenil na fogueira reforça sua contribuição para o debate sobre liberdade de leitura e formação de leitores críticos.
Sua história também representa a atuação de mulheres que ocupam espaços na pesquisa e na universidade pública, ampliam o conhecimento e ajudam a formar novas gerações de professores, pesquisadores e leitores.
Em um cenário marcado pela rápida circulação de informações, formar leitores capazes de interpretar discursos, reconhecer diferentes pontos de vista e questionar informações permanece um desafio fundamental.
A trajetória da pesquisadora reforça que a educação se fortalece quando o conhecimento é compartilhado, a literatura encontra espaço e os professores ajudam novas gerações a desenvolver autonomia, senso crítico e novas possibilidades de compreender o mundo.

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