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Sob El Niño, primavera deve ter calor, seca e tempestades severas

Fenômeno agrava estiagem em uma metade do país, e temporais na outra

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Sob El Niño, primavera deve ter calor, seca e tempestades severas

A primavera de 2026 começa oficialmente no Hemisfério Sul nesta terça-feira (22), às 21h05, com previsão de temperaturas elevadas e condições favoráveis à formação rápida de tempestades severas em diferentes regiões do Brasil.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a influência do El Niño deve acentuar a seca nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já no Sudeste e no Sul do país, a projeção aponta para aumento do volume de chuvas.

“O El Niño tem potencial para influenciar as condições climáticas no Brasil durante a primavera, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste”, afirma o meteorologista do Inmet, Mozar de Araújo Salvador.

Nesta primavera, o El Niño tem mais de 90% de probabilidade de atingir a categoria de muito forte e 75% de chance de ser o evento mais intenso registrado desde 1950, conforme projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA).

Segundo Mozar Salvador, a influência do fenômeno faz com que a estação apresente características diferentes das observadas nos últimos anos.

“De modo geral, as temperaturas devem ficar elevadas, podendo ultrapassar a média para o período em praticamente todo o Brasil, variando de intensidade conforme a região”, explica.

Temporais e seca

Durante a primavera, o fluxo de umidade proveniente da Amazônia fica mais intenso, levando chuvas para o centro-sul da Região Norte e também para áreas do Centro-Oeste e Sudeste.

Na Região Sul, também podem ocorrer Complexos Convectivos de Mesoescala, que são grandes aglomerados de tempestades capazes de provocar chuvas intensas.

Segundo o meteorologista do Inmet, esses sistemas aumentam a probabilidade de precipitações acima da média na Região Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste.

São Paulo e Mato Grosso do Sul estão entre os estados que podem registrar maiores volumes de chuva durante a estação.

Por outro lado, o norte da Região Nordeste, especialmente o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, deve receber menos chuva.

“Nas Regiões Norte e Nordeste, há maior potencial para chuvas mais irregulares, resultando em déficit de chuvas em grande parte dessas regiões. Também há possibilidade de predomínio de déficit de chuva no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás”, afirma Salvador.

Equinócio marca início da primavera

A primavera no Hemisfério Sul começa quando o planeta alcança o equinócio de setembro, período em que os hemisférios Norte e Sul recebem incidência semelhante de raios solares, fazendo com que o dia e a noite tenham aproximadamente a mesma duração.

O fenômeno ocorre duas vezes por ano, em março e setembro, marcando o início da primavera ou do outono, dependendo do hemisfério.

Ao longo dos próximos três meses, os dias ficarão progressivamente mais longos no Hemisfério Sul até o solstício de dezembro. O verão terá início no dia 21 de dezembro, às 18h50.

No Hemisfério Norte ocorre o contrário: o equinócio de setembro marca o começo do outono, e as noites ficam progressivamente mais longas até a chegada do inverno.


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