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“CANA”, filmado no Oeste Paulista, é o curta-metragem mais premiado do 59º Festival de Brasília

Filme de Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone conquista cinco prêmios.

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“CANA”, filmado no Oeste Paulista, é o curta-metragem mais premiado do 59º Festival de Brasília

O curta-metragem CANA, dirigido e escrito por Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone, encerrou sua participação no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro como o curta mais premiado da edição. Filmado no Oeste Paulista e realizado a partir de uma rede de profissionais formada no interior de São Paulo e Paraná, o filme conquistou cinco prêmios na cerimônia realizada no Cine Brasília, no dia 19 de setembro.

Além do Candango de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Oficial, CANA recebeu o Prêmio da Crítica Abraccine de Melhor Curta-Metragem, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, e o Prêmio Canal Brasil de Curtas. O ator Gerin Black recebeu o Candango de Melhor Ator, enquanto Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone foram premiados pela Melhor Trilha Sonora.

Os cinco reconhecimentos coroaram a estreia nacional do filme, exibido pela primeira vez no Festival de Brasília em 15 de setembro, dentro da Mostra Competitiva Nacional de Curtas-Metragens.

UM FILME NASCIDO NO INTERIOR

Produzido pela Oeste Cinema, de Assis (SP), CANA foi realizado no interior paulista e tem sua concepção diretamente relacionada à paisagem social, econômica e humana do Oeste Paulista.

O filme acompanha dois jovens periféricos, interpretados por Gerin Black e Silas Pinheiro, que atravessam uma rodovia a bordo de uma caminhonete gigante. Ao redor deles, o horizonte é tomado pela monocultura da cana-de-açúcar. Durante o trajeto, desejos, medos e ressentimentos começam a emergir enquanto os personagens antecipam aquilo que poderão encontrar pelo caminho.

A paisagem não funciona apenas como cenário. Os extensos canaviais, as rodovias e pequenas cidades do interior constituem o universo dramático do filme e participam da construção de uma espécie de fábula contemporânea sobre juventude periférica, consumo, racismo, violência e ausência de perspectivas.

Essa relação entre cinema e território está no centro do trabalho desenvolvido pela Oeste Cinema e pelo Polo Audiovisual do Velho Oeste, iniciativa dedicada ao desenvolvimento do audiovisual no Oeste Paulista. O Polo atua desde 2019 nos eixos de formação, apoio à produção e circulação de filmes, buscando criar condições para que profissionais e comunidades do interior possam produzir e contar suas próprias histórias.

CANA contou com apoio do Polo Audiovisual do Velho Oeste, e sua equipe foi formada majoritariamente por profissionais da região de Assis. O filme é uma produção da Oeste Cinema, em coprodução com a Kinopus, de Londrina (PR), e a produtora francesa Filmo 2. O projeto recebeu financiamento do ProAC Editais, do Governo do Estado de São Paulo, e da Lei Paulo Gustavo de Assis.

Para seus realizadores, a trajetória do filme em Brasília reforça a possibilidade de construir um cinema brasileiro contemporâneo a partir de territórios distantes dos grandes centros de produção.

REPERCUSSÃO DA CRÍTICA

Antes mesmo da premiação, CANA tornou-se um dos curtas de maior repercussão crítica da Mostra Competitiva Nacional.

No Cinema Escrito, o crítico Luiz Joaquim definiu o filme como “puro frescor e energia criativa em forma de cinema”, destacando ainda a autenticidade dos diálogos e a transformação gradual da narrativa em uma experiência próxima ao horror.

Também no Cinema Escrito, em texto produzido durante a Oficina de Crítica do Festival, Luna Neves destacou as “atuações sólidas, direção inteligente e linguagem visual marcante” do curta.

No Cineweb, Neusa Barbosa descreveu CANA como “um agudo retrato de um sufocamento interiorano paulista”, chamando atenção para a transformação de uma situação inicialmente realista em uma narrativa de contornos distópicos.

A Revista Lume definiu o filme como “uma parábola poderosa e perturbadora”, destacando a maneira como, em apenas 15 minutos, o curta atravessa elementos do suspense, do terror e da ficção científica.

Para Luiz Zanin, em Cinema, Cultura & Afins, CANA é “intenso”, enquanto a cobertura da Revista de Cinema, de Maria do Rosário Caetano, colocou o filme entre os destaques da competição de curtas antes mesmo da premiação. Após a cerimônia, a publicação voltou ao filme, descrevendo sua narrativa como uma “história densa e sacudida”.

A recepção crítica encontrou confirmação na noite de premiação: além da escolha do Júri Oficial, CANA recebeu justamente o Prêmio Abraccine, concedido pela crítica cinematográfica brasileira.

CINCO PRÊMIOS EM BRASÍLIA

A passagem de CANA pelo 59º Festival de Brasília resultou nos seguintes reconhecimentos:

• Melhor Curta-Metragem — Júri Oficial
• Melhor Ator — Gerin Black
• Melhor Trilha Sonora — Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone
• Prêmio Abraccine de Melhor Curta-Metragem
• Prêmio Canal Brasil de Curtas

Com os cinco prêmios, CANA encerrou o Festival como o curta-metragem mais premiado da 59ª edição.

A conquista também representa uma continuidade na trajetória de Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone. Os realizadores já haviam trabalhado juntos em Ainda Restarão Robôs nas Ruas do Interior Profundo, curta selecionado para o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, além de dezenas de festivais internacionais, finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e vencedor do Prêmio Canal Brasil de Curtas.

Com CANA, a dupla recebe novamente o Prêmio Canal Brasil, agora acompanhado pelo principal prêmio da competição nacional de curtas do Festival de Brasília e pelo reconhecimento da Abraccine.

SOBRE O POLO AUDIOVISUAL DO VELHO OESTE

O Polo Audiovisual do Velho Oeste é uma iniciativa de fomento ao cinema realizado no interior, com atuação especialmente voltada ao Oeste Paulista.

Desde 2019, o projeto trabalha em três frentes complementares — formação, apoio à produção e circulação de filmes — buscando estruturar uma cadeia audiovisual fora dos grandes centros. Suas ações incluem capacitação de profissionais, atividades de cinema e educação, oficinas em comunidades e territórios específicos, suporte a produções, articulação econômica regional e formação de público.

A proposta é fazer com que o território deixe de funcionar apenas como locação para produções externas e passe a formar profissionais, desenvolver projetos e produzir suas próprias representações.

A realização de CANA e sua trajetória no Festival de Brasília materializam esse processo: um filme construído a partir da paisagem, dos profissionais e das questões do interior paulista alcança uma das principais vitrines do cinema brasileiro.

SOBRE CANA

CANA
Brasil/França | Ficção | 15 min | 2026

Dois jovens periféricos conduzem uma caminhonete gigante por uma rodovia cercada de cana, enquanto lidam com seus desejos e receios do que possa acontecer no caminho.

Roteiro e direção: Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone
Elenco principal: Gerin Black e Silas Pinheiro
Direção de fotografia: Anderson Craveiro
Direção de arte: Beatriz Xavier
Montagem: Guilherme Xavier Ribeiro
Figurino: Ariadne da Cruz
Produção executiva: Guilherme Peraro, Guilherme Xavier Ribeiro, Luca Cabriolu e Olivier Chantriaux
Produção: Oeste Cinema
Coprodução: Kinopus e Filmo 2
Apoio: Polo Audiovisual do Velho Oeste
Distribuição em festivais: Fernanda Etzberger

PRÊMIOS — 59º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO

Melhor Curta-Metragem — Júri Oficial
Melhor Ator — Gerin Black
Melhor Trilha Sonora — Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone
Prêmio Abraccine — Melhor Curta-Metragem
Prêmio Canal Brasil de Curtas

 

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