A Câmara Municipal de Assis suspendeu, nesta segunda-feira, 17, a análise do novo pedido de abertura de Comissão Processante (CP) contra a prefeita Telma Gonçalves Carneiro Spera de Andrade. A decisão ocorreu após surgir a controvérsia envolvendo a assinatura da mulher que aparece como autora da representação.
O pedido estava previsto para ser lido logo no início da sessão legislativa, mas o andamento foi interrompido depois que Terezinha Lovisi da Silva afirmou publicamente que não tinha conhecimento de que sua assinatura seria utilizada em uma denúncia contra a prefeita.
Diante da situação, o presidente da Câmara, Paulinho Matiolli, decidiu consultar a assessoria jurídica do Legislativo antes de dar prosseguimento à análise da representação.
Paralelamente, Telma acionou o Poder Judiciário e pediu a instauração de inquérito policial para apurar as circunstâncias envolvendo o documento protocolado na Câmara.
A petição foi apresentada sob o Processo nº 1003561-63.2026.8.26.0047 e requer a remessa do caso ao Ministério Público e à Polícia Civil para investigação de possível falsidade ideológica e de outros delitos eventualmente relacionados ao episódio.
O pedido de Comissão Processante havia sido protocolado no dia 14 de agosto e traz como subscritora Terezinha Lovisi da Silva. O documento estava pautado para leitura durante a sessão ordinária desta segunda-feira, 17.
A situação ganhou um novo rumo após Terezinha conceder entrevista à Rádio Difusora de Assis e afirmar que não tinha intenção nem conhecimento de que estava assinando uma denúncia contra a chefe do Executivo.
Segundo consta na petição apresentada pela defesa da prefeita, Terezinha relatou que teria sido abordada por terceiros e acreditava que sua assinatura seria utilizada em um simples “abaixo-assinado” de interesse comunitário. O documento judicial sustenta ainda que ela afirmou não concordar com o conteúdo da representação.
Assista a entrevista:
Defesa quer saber quem elaborou e protocolou o documento
A partir das declarações, a defesa de Telma pede que sejam identificadas as pessoas que teriam abordado Terezinha, quais informações foram apresentadas a ela, quem confeccionou a representação e quem efetivamente realizou o protocolo na Câmara Municipal em 14 de agosto.
A defesa sustenta que, caso seja comprovada a utilização da assinatura em documento com conteúdo diferente daquele que Terezinha acreditava estar apoiando, os fatos poderão, em tese, caracterizar falsidade ideológica.
A petição menciona também a possibilidade de apuração de outros crimes eventualmente relacionados ao caso. Até o momento, porém, não há autoria definida nem reconhecimento judicial de que qualquer crime tenha efetivamente ocorrido.
Prefeitura cita prints de WhatsApp
Em material encaminhado à imprensa, a Prefeitura afirma ainda que existem registros e prints de conversas de WhatsApp que indicariam abordagens a cidadãos para obtenção de assinaturas destinadas ao pedido de Comissão Processante.
O release menciona também informações sobre o suposto envolvimento de agente político nas articulações. Esses elementos, entretanto, não aparecem detalhados na petição analisada pelo Abordagem Notícias e eventual participação de terceiros deverá ser esclarecida pelas autoridades responsáveis pela apuração.
Imagens da Câmara são requisitadas
Outro ponto considerado importante pela defesa é a obtenção das imagens do sistema de videomonitoramento da Câmara Municipal referentes ao dia 14 de agosto.
Antes mesmo do pedido judicial, a Prefeitura havia encaminhado o Ofício GAB nº 385/2026 à Presidência do Legislativo solicitando a preservação urgente e integral das gravações internas e externas do prédio.
O objetivo é identificar quem esteve na Câmara e quem efetivamente protocolou a representação.
A defesa também requer cópia integral do protocolo, com a identificação de quem apresentou o documento e de quem o recebeu.
Terezinha deverá ser ouvida
Entre as diligências solicitadas estão a oitiva formal de Terezinha Lovisi da Silva, para que ela detalhe as circunstâncias em que foi abordada e assinou o documento.
A petição também pede a obtenção da gravação da entrevista concedida por ela à Rádio Difusora de Assis, além das imagens das câmeras da Câmara e da íntegra do pedido de Comissão Processante.
Caso fica suspenso na Câmara
Com a decisão tomada nesta segunda-feira, a análise do pedido de Comissão Processante fica, por ora, suspensa no Legislativo enquanto a assessoria jurídica da Câmara avalia a situação e orienta sobre os próximos procedimentos.
Ao mesmo tempo, o pedido apresentado por Telma à Justiça busca levar a discussão para a esfera criminal, com o objetivo de esclarecer como a assinatura foi obtida, quem elaborou o documento e quem foi responsável por apresentá-lo oficialmente à Câmara.
O protocolo da petição não significa, por si só, que tenha ocorrido crime. A eventual instauração do inquérito terá justamente a finalidade de apurar a autoria e a materialidade dos fatos.
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