Um fisioterapeuta, de 52 anos, foi preso preventivamente denunciado de abusar da enteada, hoje com 12 anos, em Assis. Os abusos, segundo as investigações, teriam começado quando a criança tinha apenas oito anos e se estenderam por cerca de quatro anos.
A reportagem do portal Abordagem Notícias conversou com a mãe da vítima, que tem 35 anos, e teve acesso ao boletim de ocorrência, relatórios psicológicos e documentos judiciais que detalham a gravidade do caso e embasaram as decisões da Justiça.
Os abusos teriam ocorrido de forma contínua por aproximadamente quatro anos e a vítima só revelou o caso após a separação da mãe com o suspeito, em 13 de novembro de 2025. O investigado ameaçava a criança, inclusive de morte, para mantê-la em silêncio e há laudos do IML que confirmam o estupro.
Além disso, existe a suspeita de que o homem registrava imagens íntimas da vítima em dispositivos eletrônicos e relatos indicam possível participação de terceiro - amigo do padrasto, em episódios dentro da residência.
Ambiente familiar e dinâmica dos abusos
Segundo a mãe, o suspeito criava um ambiente de isolamento dentro da casa, afastando familiares e restringindo o convívio social.
A adolescente relatou que os abusos aconteciam principalmente quando a mãe não estava presente. Durante anos, o silêncio foi mantido por medo das ameaças.
A revelação ocorreu no momento em que o homem deixou a residência. A menina, que o chamava de pai por ter sido criada por ele desde os dois anos de idade, perguntou se ele voltaria. Ao saber que não, contou tudo o que vinha sofrendo.
Sinais ignorados e impacto psicológico
A mãe relatou mudanças no comportamento da filha ao longo dos anos:
Agressividade
Irritação constante
Reações incomuns na presença do suspeito
“Hoje a gente entende que ela estava pedindo socorro”, afirmou.
A adolescente está em acompanhamento psiquiátrico, faz uso de medicação e recebe suporte psicológico contínuo.
Papel da escola foi decisivo
Um relatório psicológico da rede de ensino aponta que:
A vítima buscou ajuda na escola
Houve acolhimento com escuta qualificada
O caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar
A rede de proteção foi acionada imediatamente
O documento destaca que a adolescente está em situação de vulnerabilidade emocional e necessita de acompanhamento contínuo.
Decisão da Justiça e medidas protetivas
Com base nos documentos analisados, a Justiça de Assis determinou:
Afastamento imediato do suspeito do lar
Proibição de qualquer contato com as vítimas
Restrição de aproximação física e comunicação por qualquer meio
Inclusão de outras crianças da família nas medidas protetivas
A decisão ressalta que os fatos indicam violência doméstica e familiar grave, com risco à integridade física e psicológica das vítimas.
Outras crianças também foram protegidas
Os documentos apontam que:
Há uma criança de 8 anos na família, filha do casal
Um adolescente de 14 anos também integra o núcleo familiar
A filha mais nova demonstrou medo e relatou que o suspeito teria dito que faria com ela o mesmo que fez com a irmã mais velha, quando ela tivesse 8 anos
Manifestação da Polícia Civil (na íntegra)
DELEGACIA DE DEFESA DA MULHER DE ASSIS PRENDE INVESTIGADO POR CRIME DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL
A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por intermédio da DDM-Delegacia de Defesa da Mulher de Assis/SP, cumpriu na manhã desta terça-feira, dia 31 de março de 2026, mandado de prisão preventiva expedido em desfavor de investigado pela prática do crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal).
A ordem judicial foi devidamente executada após regular investigação conduzida pela unidade especializada, que reuniu elementos probatórios consistentes acerca da materialidade delitiva e indícios de autoria.
Durante o curso das apurações, constatou-se, ainda, que o investigado, com idade de 52 anos, teria proferido ameaças contra a vítima, circunstância que acentua a gravidade dos fatos e evidencia a necessidade da medida cautelar de prisão para garantia da ordem pública e da integridade da ofendida. Na oportunidade, foram apreendidos dispositivos eletrônicos contendo grande quantidade de material fotográfico, os quais serão submetidos à análise pericial para apuração de outros crimes envolvendo outras vítimas.
Após o cumprimento da ordem judicial, o preso foi conduzido a estabelecimento prisional da região onde permanecerá à disposição da Justiça para audiência de custódia. As investigações prosseguem visando à completa elucidação dos fatos, identificação de outras possíveis vítimas e responsabilização penal do investigado.
A Polícia Civil reitera seu compromisso institucional com o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes, atuando de forma rigorosa na proteção as vítimas em situação de vulnerabilidade e na responsabilização dos autores.
Situação atual
O suspeito está preso preventivamente
O caso corre em segredo de justiça
As investigações continuam
Perícias devem analisar os materiais apreendidos
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